Em Mateus 1:18–19 lemos: “O nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José. Antes de se unirem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu marido, sendo justo e não querendo expô-la à vergonha pública, resolveu deixá-la secretamente”.
Nesse relato, José enfrenta um profundo dilema de fé. Culturalmente, Maria era legalmente considerada sua esposa, e a gravidez antes da consumação do casamento poderia fazê-lo parecer cúmplice de adultério, crime punível com apedrejamento. A honra familiar, a reputação pública e a obediência à Lei estavam em jogo. José vivia em um contexto rígido, no qual decisões pessoais traziam consequências sociais severas e irreversíveis.
Pessoalmente, José é descrito como “justo”, alguém que valorizava a Lei de Deus, mas também a misericórdia. Sua justiça não era fria nem cruel. Ele não quis submeter Maria à ignomínia pública nem ao castigo legal severo. Por isso, decidiu deixá-la em segredo, buscando honrar a Lei e, ao mesmo tempo, agir com compaixão. Era uma decisão correta à luz do que ele compreendia naquele momento.
José já havia tomado uma decisão justa e misericordiosa, mas Deus interveio e redefiniu seu caminho. Ao obedecer à revelação divina, ele assumiu riscos pessoais, enfrentou vergonha social e abriu mão do controle da situação. Sua fé foi provada no silêncio, antes de qualquer explicação pública.
Assim, neste Natal, ao contemplar a vida de José, você é lembrado de que confiar em Deus nem sempre é compreender tudo. Como José, Deus também desafia seus planos bem-intencionados. Assim você é chamado a confiar plenamente n’Ele, mesmo sem garantias visíveis. A fé madura agrada a Deus e obedece quando Ele fala. Como afirma Hebreus 11:6: “Sem fé, é impossível agradar a Deus”.