ENTENDENDO A MORTE E O PÓS MORTE


ENTENDENDO A MORTE E O PÓS MORTE

Por Roberto N. Amorim

01 – A REALIDADE DA MORTE’

Todos nascemos, vivemos e morremos. E depois? Esta pergunta tem desafiado a humanidade através da História do Mundo. Nosso entendimento do que acontece após a morte influenciará muito a maneira pela qual vivemos. É por isso muito importante entender esse assunto.
Ninguém escapará da morte. Todas as pessoas experimentarão a morte física e o estado intermediário independente de idade.  Na história biblíca apenas houve duas exceções a esta regra:  Enoque (Gn 5.24) e Elias ( 2 Rs 2.11).  No demais, baseado em Hb 9.27, todos passarão pela experiência da morte, seguindo a existência consciente durante um período transitório (Veja o caso do Rico e de Lázaro em Lc 16.30-31) até a ressurreição do corpo.

02 – DEFINIÇÃO DE “MORTE” NA BÍBLIA


A morte física está descrito na Bíblia como a separação e espírito do corpo  o que parece ser o resultado imediato da decadência e extinção do corpo físico. Tiago diz que o corpo sem o espírito está morto (Tg 2.26), e o escritor de Eclesiastes, ao falar da morte física diz que o corpo retorna ao pó de onde veio e o espíritoa Deus, que o deu (Ec 12.7); o que confirma a realidade dita pelo próprio Deus em Gn 3.19.

03 – ONDE A MORTE ATINGIU


O termo “morte” na Bíblia não se limita simplesmente à morte física. Ela também é usada para descrever o estado espiritual de todas as pessoas (exceto Cristo) nascidas neste mundo. O apóstolo Paulo diz que somos “espiritualmente mortos em pecado”. Apenas o encontro pessoal com Jesus é que nos faz  vivificados nEle (Ef 2.16). Como resultado de ser morto espiritualmente produzimos trabalhos consistentes com a morte, escuridão e profunda ignorância de Deus (Ef 4.17-19).
A morte física e espiritual são um resultado do pecado de Adão (1 Co 15.21, Rm 5.12). Adão como o representante da humanidade foi ordenado a não comer do fruto da árvore sobre o pagamento de uma morte certa (Gn 2.17). Esta pena de “morte” envolveu mais que a morte espiritual, pois o homem foi proibido de voltar a entrar no jardim, tomando da árvore da vida e viver para sempre em um estado pecaminoso (Gn 3.23-24). Assim, a pena de morte para o pecado incluíram morte física, bem como a morte espiritual.

Mas aqueles que morrem nesta condição de morte espiritual resta ainda outra morte. Este, no entanto, é permanente, sem esperança de mudança ou libertação. Ela é referida como a segunda morte e resulta num estado permanente de separação da presença graciosa de Deus. É a punição eterna para o pecado de rejeitar a Deus em Cristo. O termo referido em Ap 21.8 é a “segunda morte”. Os que creram em Jesus como seu Senhor e Salvador não passarão pela “segunda morte” (Ap 20.6)

04 – O PROBLEMA PRÁTICO DA “MORTE”


O problema existencial da morte é tão grave que muitos perdem a esperança na vida. Mas, para o cristão, a morte não tem a palavra final . A “perda” não é o resultado final.  Ainda que a morte impõe medo, tristeza, uma expectativa, o cristão tem a certeza, baseada na ressurreição de Cristo e do ministério da habitação do Espírito, que a ressurreição e vida com Deus será a sua / seu destino final  (1 Ts 4.13). Enquanto choramos por nossos entes queridos falecidos que creram em Jesus,  eles estão com o Senhor, mas lamentamos apenas a perda momentânea.
Em face da morte de um ente querido devemos buscar o Senhor para consolo de nosso coração (Hb 4.15) e lembrar que o Senhor Jesus não está insensível a realidade dos que sofrem com a perda de alguém querido (1 Co 15.55-57), visto que ele mesmo chorou diante da morte de um amigo querido (Jo 11.35).

05 – TEORIAS SOBRE O ESTADO PÓS MORTE


Primeiro, há aqueles que sugerem que a alma entra num estado de limbo inconsciente até a ressurreição do corpo. Geralmente aqueles que defendem “sono da alma”, como é frequentemente referido, afirmam que este é o significado das muitas referências a cristãos “adormecer” no Senhor   (1 Ts 4.13-15).
Mas é altamente improvável que “sono” nada mais é do que uma figura de linguagem chamada de metáfora (eufemismo), que se refere ao corpo da pessoa falecida que um dia será “acordado” para estar com Cristo na vida de ressurreição. Assim, a metáfora não é que eles já estão em um estado inconsciente, mas sim que morte não é o seu destino final, antes, por terem crido em Cristo, eles estarão ligados a ressurreição com Cristo (Jo 11.11-14). A metáfora indica que a morte é apenas temporária para o cristã

Segundo, há aqueles que argumentam que as almas dos falecidos não estão ainda completamente purificados, daí eles vão para o purgatório a experimentar limpeza e preparação para o céu e presença de Deus. Esse ensino é baseado em um texto do livro apócrifo(*1) ( 2 Macabeus 12:42-45 onde Judas Macabeu se diz ter tomado uma coleção monetária a ser enviado a Jerusalém como oferta pelo pecado, ele diz-se que “fez expiação pelos mortos, para que eles possam ser entregues a partir de seus pecados”. Outras passagens do Novo Testamento são utilizados para apoiar a doutrina de purgatório (Mt 5.26, 12.32, 1 Co 3.15 e 2 Tm 1.8).
Uma uma rápida olhada nessas passagens revela que a doutrina do purgatório não pode ser sustentada. Jesus e o apóstolos não ensinaram sobre isso. O conteúdo do Novo Testamento baseia-se na necessidade do arrependimento pessoal ( Mt 3.2, 4.17; Mc 1.15; At 2.38, 3.19) e no crer e confiar somente em Jesus como Senhor e Salvador antes da morte para se ter a vida eterna (Jo 3.15,16; 3.36; 5.24; 6.47,54; 10.28). Os apóstolos tinham essa esperança e a mesma é garantida para todos os que confiam em Cristo nessa vida.

Em terceiro lugar, há os que são fascinados com a idéia de que a alma desencarna em um corpo e reencarna em outro. Esse conceito é chamado de reencarnação. O cerne desse ensinamento propõe que a alma voltará em consecutivas vezes em outras vidas até ser finalmente aperfeiçoadas.
A Bíblia não ensina nada para provar esse conceito. Antes, a Bíblia ensina claramente ao contrário. Ela foca que morreremos apenas uma só vez. Lemos Hebreus 9:27-28 diz: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação.”
O ensino da reencarnação destrói totalmente a morte sacrificial e vicária de Jesus pelos pecados. O texto diz que Jesus ofereceu “uma vez para sempre para tirar os pecados…”.
Paulo ensino em 2 Coríntios 5.10 que cada pessoa será julgada “segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.” Nesse texto Paulo não fala de “vários corpos”, mas de “um só corpo”. A Bíblia não ensina que o espírito voltará para ser aperfeiçoado em outro corpo. Ao morrer o espírito volta para Deus (Ec 12.7).
As últimas palavra de Jesus na cruz são ditas a um ladrão que crucificado ao Seu lado pede que Jesus se lembre dele no Paraíso (Lc 23.42). As palavras de Jesus foram firmes, contudentes e clara: “hoje estarás comigo no Paraíso” Ainda que o corpo desse ladrão estivesse morto, sua alma estaria consciente, não dormiria e nem teria que voltar novamente. Jesus confirma a presença do ladrão arrependido em Sua presença eterna.
A idéia que a alma é aperfeiçoada através da reencarnação é absolutamente oposta ao ensino que a salvação da alma é pela graça de Deus, conforme ensinado em Ef 2.8,9.

Em quarto lugar há um ensino que paira em muitas religiões que é o da “comunicação com os mortos.” Ou seja, Uma suposta capacidade de se falar com alguém que já morreu.
Esse é um ensino absolutamente contrário a Bíblia. Quando  o homem rico em Lucas 16 pediu que alguém dentre os mortos tornasse um mensageiro para sua família, Abraão disse que isso não seria permitido, e que era desnecessário (Lc 16.27-31).
No Antigo Testamento, Deus condenou como “uma abominação” esse esforço em vão de consultar os mortos (Dt 18.9-12). Ainda em Eclesiastes 9.5 lemos: “os mortos não sabem coisa alguma.”  Eles não podem nos olhar, cuidar, nos fazer algum bem ou se comunicar conosco. A consulta aos mortos está ligada à idolatria e à feitiçaria. Assim, é um erro perigoso e abominável a Deus tentar consultar os mortos.

06 – O DESTINO ETERNO APÓS A MORTE

A Bíblia nos diz que depois do momento da morte, a pessoa é conduzida ao Céu ou Inferno com base no fato de ter ou não recebido Cristo como seu Salvador. Para os que receberam Jesus, o período após a morte significa “estar ausente do corpo e presente com o Senhor” (II Coríntios 5:6-8; Filipenses 1:23). Para os que não creram, o período após a morte significa punição eterna no Inferno (Lucas 16:22-23).
Exatamente neste ponto é que se faz confusão quanto a questão a respeito dos acontecimentos depois a morte. Apocalipse 20:11-15 descreve todos os que estiverem no Inferno serão lançados no lago de fogo.

Os capítulos 21 e 22 de Apocalipse descrevem um Novo Céu e Nova Terra. A partir do momento após a morte até a ressurreição final, a pessoa reside em um Céu ou Inferno literal e “temporários”.

O destino final da pessoa não mudará, mas o “local” preciso no qual passará este destino mudará. Em algum momento depois da morte, os que creram em Jesus serão enviados ao Novo Céu e Nova Terra (Apocalipse 21:1). Em algum momento depois da morte, os não crentes serão lançados no lago de fogo (Apocalipse 20:11-15).

Estes são os destinos finais e eternos de todas as pessoas – totalmente baseados no fato de cada pessoa ter ou não confiado somente em Jesus Cristo para salvação de seus pecados.