UM SER ESPECIAL

UM SER ESPECIAL

Até o sétimo mês de gestação, a pele de um bebê é muito fina e lisa. É nesse período que, somado às informações genéticas, a pele desenvolve sulcos. Durante a formação do bebê, esses sulcos são alterados dentro do líquido amniótico, e isso cria um padrão para cada dedo, daí surge a impressão digital, o que garante uma assinatura individual e imutável pelo resto da vida.

O conceito das digitais demonstra como Deus, em sua sabedoria, fez a cada um de forma especial. Essa verdade é declarada no Salmo 139.13,15: “Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.”

Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria singularidade que a distingue como ser humano individual. Cada um tem sua própria personalidade, interesses, habilidades, gostos, talentos etc.

Não se pode deixar pressionar por uma cultura que ensina que ser o outro é o padrão. Ninguém precisa ser um Isaac Newton, um Santos Dumont, um Neymar, um Messi, uma Margaret Tatcher etc. É permitido admirar essas personalidades. É permitido honrar pessoas geniais, mas ninguém deve ceder ou se sentir pressionado a ser igual ao outro. Somos diferentes; é preciso celebrar a diferença.

Plutarco escreveu a biografia Júlio César. Júlio César foi, com certeza, um dos maiores imperadores de todos os tempos. Seu reinado marcou a história de tal maneira que os sucessores ao trono romano adotaram seu nome. Augusto, Marco Aurélio e todos os demais também queriam ser César. Até os imperadores da Rússia passaram a se chamar de Tsar – e os germânicos, de Keiser – César em alemão. Acontece que o próprio Júlio César era insatisfeito consigo mesmo. Ele invejava Alexandre, o Grande. Plutarco narra que certa vez flagrou Júlio César banhado de lágrimas enquanto lia a vida de Alexandre. Plutarco perguntou o motivo das lágrimas: “Choro não por Alexandre, que morreu tão cedo, mas por mim. Com minha idade Alexandre já havia conquistado o mundo e eu nada fiz”. Eis o problema: todos queriam ser iguais a Júlio César, mas ele queria ser Alexandre. A situação era ainda pior: Alexandre, o Grande, não era satisfeito consigo mesmo. Ele queria ser Hércules. Mas Hércules não existia, pois era um personagem mitológico.

Por isso, seja você mesmo! Fique feliz porque Deus o criou de modo especial e admirável. Não defina sua identidade pelo padrão do outro, isso é injusto com você e lhe leva a busca de uma perfeição sem fim, um descontentamento e a ansiedade; pecados clássicos dos nossos tempos.

Não tenha medo de ser diminuído pelo anonimato. A vida não acaba porque você não alcançou o “estrelato”. Fuja dessa inveja fútil.

Sua digital diz que você é um ser especial criado de “modo especial e admirável” por Deus e para Deus. Seja você mesmo! Desfrute sua singularidade e diferença.